Nós portugueses sempre tivemos um grande fascínio pelo estrangeiro. O estrangeiro é que é bom. O que mais admiro nesta coisa de olharmos para o estrangeiro como algo melhor do que temos é sobretudo na língua. Nós só defendemos a nossa língua quando nos pisam os calcanhares ou quando nos queremos exibir um bocadinho. O exemplo mais clássico desta admiração pelo estrangeirismo e a inserção na nossa língua é quando queremos dar o nome às coisas (grupos, empresas, lojas, serviços, etc.). Cantam os Clã que em inglês soa sempre bem e então a malta toca a dar nomes às coisas em inglês com a desculpa de que vivemos num mundo global e até pode dar jeito o nome em inglês. É assim tipo universal. Estes dias espanto-me com um destes casos. Vejo eu um autocolante num carro sobre um clube BTT que se chama “Love Biker’s - Race Team”. “Uau”, devem ter dito uns para os outros quando o iluminado apresentou a proposta do nome. Estou mesmo a imaginar o entusiasmo. Não repararam foi no erro do apóstrofe mal colocado, o que até dou de barato nesse caso. Na minha tentativa de traduzir o que eles quereriam dizer com este nome cheguei a algumas conclusões interessantes. “Love Bikers”, sem o tal apóstrofe em riste, talvez pudesse ser traduzido como “Os Ciclistas do Amor”. Nem me parece bem nem mal. Se é para manter o apóstrofe, a palavra “love” é que está fora de sitio, ou seja, o que eles quereriam dizer talvez fosse “Biker’s Love” o que traduzido poderia dar em algo como “O Amor do Ciclista”. Já é um pouco mais grave. Mas esforcei-me e fiz outro exercício, pensar primeiro em português, talvez eles quisessem dizer “Os Amantes do Ciclismo” o que não tem nada haver em inglês, o mais próximo seria qualquer coisa do género de “Cycling Lovers”, porque até “Biker’s Lovers” soa a estranho, algo tipo “Os Amantes dos Ciclistas”. Esta malta que saí vestido de licra aos domingos de manhã em grupinhos, sempre me suscitou alguma confusão. Nada contra, é só um baralho meu.